WEGOVY EM COMPRIMIDO AINDA AGUARDA APROVAÇÃO DA ANVISA, ENQUANTO AGÊNCIA JÁ LIBEROU DOSE MAIOR DA CANETA, DE 7,2 MG
Versão oral da semaglutida é vendida nos EUA e foi aprovada na Europa, mas pedido brasileiro segue em análise desde janeiro; Anvisa alerta para uso restrito da nova dose injetável e para produtos irregulares vendidos como "cápsulas"
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A versão em comprimido do Wegovy, medicamento usado no tratamento da obesidade, ainda não tem venda autorizada no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa o pedido de registro feito pela farmacêutica Novo Nordisk em 30 de janeiro de 2026, e não há prazo definido para a decisão. Em outra frente, a agência aprovou em 4 de maio a atualização da posologia do Wegovy injetável, que passou a prever, em situações específicas, uma dose de manutenção de até 7,2 mg por semana.
O pedido é para o comprimido de semaglutida oral de 25 mg, indicado a adultos para o tratamento da obesidade, a manutenção da perda de peso a longo prazo e a redução do risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em quem tem obesidade ou sobrepeso associado a ao menos uma comorbidade. A semaglutida imita o GLP-1, hormônio produzido pelo intestino que atua no controle do apetite.
Segundo dados públicos da Anvisa, o tempo médio para aprovar um novo medicamento no país é de 506 dias, cerca de um ano e cinco meses. Como se trata de uma média, a análise pode ser mais rápida ou mais demorada. A aprovação em outros países não vincula a decisão brasileira, já que a agência faz uma avaliação técnica independente.
Em caso de aprovação, o medicamento ainda dependerá da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de chegar às farmácias.
Aprovado nos EUA e na Europa
O comprimido foi aprovado nos Estados Unidos em dezembro de 2025 e é vendido por lá desde janeiro. Na Europa, o comitê da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) deu parecer favorável em maio de 2026, para doses de 1,5 mg, 4 mg, 9 mg e 25 mg.
Nos EUA, as doses mais baixas foram lançadas a US$ 149 por mês para pacientes sem plano de saúde. As de 9 mg e 25 mg custam US$ 299 mensais. Não há preço definido para o Brasil.
Eficácia e efeitos colaterais do comprimido
No estudo OASIS 4, publicado na revista New England Journal of Medicine, a dose de 25 mg levou a uma perda de peso de 16,6%, e um em cada três participantes perdeu 20% ou mais do peso corporal. Outro estudo estimou perda de 13,6% após 71 semanas.
Os efeitos adversos foram predominantemente gastrointestinais, de intensidade leve a moderada, e o mais comum foi a náusea. O perfil de segurança foi semelhante ao do Wegovy injetável.
Como se toma
O comprimido deve ser ingerido ao acordar, em jejum, com no máximo cerca de 118 ml de água. Médicos observam que a necessidade de jejum e de um intervalo sem comer ou beber após a dose pode ser difícil de encaixar na rotina de algumas pessoas.
Anvisa aprova dose maior para a caneta
Em 4 de maio, a Anvisa aprovou a atualização da posologia do Wegovy injetável, indicado para o tratamento da obesidade em adultos como adjuvante a uma dieta de baixa caloria e à prática de atividade física. A decisão foi formalizada pela Resolução 1.747/2026.
Passa a ser possível, em situações específicas, usar uma dose de manutenção de até 7,2 mg por semana, por via subcutânea. Ela corresponde a três injeções consecutivas de 2,4 mg e só pode ser adotada depois de o paciente ter usado a dose de 2,4 mg semanal por, no mínimo, quatro semanas.
Quando a nova dose pode ser usada
A dose de 7,2 mg não substitui a dose padrão. Foi aprovada como opção excepcional de intensificação do tratamento, destinada apenas a adultos com obesidade (IMC igual ou maior que 30 kg/m²) que não tenham alcançado resposta clínica adequada com a dose de 2,4 mg. Se a dose mais alta não trouxer benefício adicional ou causar eventos adversos, a recomendação é voltar para 2,4 mg.
Pacientes com IMC entre 27 e 30 kg/m², mesmo com comorbidades, não devem usar a dose de 7,2 mg, porque esse grupo não foi avaliado nos estudos que embasaram a decisão.
Evidências e segurança da dose maior
A decisão se baseou nos estudos clínicos STEP UP e STEP UP T2D, que avaliaram a semaglutida de 7,2 mg em adultos com obesidade, com ou sem diabetes tipo 2. Os resultados mostraram que a dose mais alta pode proporcionar perda adicional de peso em relação à de 2,4 mg, mas esse benefício foi observado principalmente em uma parcela menor dos pacientes. Para a maioria, o ganho foi limitado.
O perfil de segurança foi, em geral, consistente com o já conhecido para o Wegovy e para os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, com eventos adversos principalmente gastrointestinais. Houve, porém, aumento na frequência de alterações de sensibilidade da pele (disestesia) com a dose mais elevada. Por isso, a Anvisa reforça a importância do acompanhamento médico contínuo, da reavaliação periódica da resposta ao tratamento e do monitoramento de eventos adversos pela farmacovigilância. A agência destaca que o balanço entre benefício e risco do Wegovy continua positivo, desde que o medicamento seja usado conforme as indicações aprovadas e com acompanhamento de um profissional de saúde.
Atenção a produtos irregulares
Hoje, no Brasil, a semaglutida está aprovada apenas nas canetas injetáveis Ozempic e Wegovy e no comprimido Rybelsus, este indicado para diabetes tipo 2. A Novo Nordisk afirma que a substância não foi desenvolvida em nenhum lugar do mundo para uso em frascos injetáveis, cápsulas orais, pellets, fitas ou chips. Produtos anunciados nesses formatos, em sites, redes sociais ou lojas sem licença da Anvisa, devem ser vistos com desconfiança.
O uso de qualquer medicamento para obesidade deve ser definido com acompanhamento médico.













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