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PM REFORÇA POLICIAMENTO EM VOLTA REDONDA E PEDE AJUDA DOS VEREADORES CONTRA O MEDO

há 4 minutos
3 min de leitura

Novo comando do 28º BPM recebe parlamentares, admite demora na resposta à invasão do Complexo Vila Brasília, cria canal direto de informação e pede paciência à população

Fotos: Osmar Neves

O novo comandante do 28º Batalhão de Polícia Militar, Ten-Cel-PM Décio Keiji Takamine, e o subcomandante, Ten-Cel-PM André Fernandes, receberam na sede do batalhão vereadores de Volta Redonda para tratar da situação na cidade desde a tarde de domingo (25/10), quando áreas do Complexo Vila Brasília foram invadidas por criminosos. Participaram das conversas o presidente da Câmara, Nilton Alves de Faria, o “Neném”, o líder do governo, Luciano de Souza Portes, o “Mineirinho”, e outros dez vereadores, além de assessores dos que não puderam comparecer.

Takamine afirmou que a troca no comando foi consequência do problema. “A gente não está aqui para passar o pano nem para jogar nada para debaixo do tapete”, disse. Ele prometeu portas abertas à Câmara, pediu críticas e reconheceu que uma crise “não se resolve de uma hora para outra”. Também afirmou que a PM não compactua com o tráfico e que a imagem da corporação foi abalada “por erro de alguns, não de um batalhão todo”.

O comandante admitiu que houve demora na resposta inicial, em razão do período eleitoral, que exigia efetivo em todos os pontos. “A Polícia Militar opera em todo o terreno, mas não consegue estar presente em todos”, afirmou. Segundo ele, o policiamento já foi normalizado.


Reforço e posição da PM

De acordo com o comando, a cidade recebe apoio da Prefeitura, do Governo do Estado e do Comando-Geral, com de diversas unidades. Atuam na área o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), o BAC (Batalhão de Ações com Cães) e o Recom (Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão), que, de acordo com ele, já realizou uma prisão no dia da chegada.

Na Vila Brasília, onde o caso começou, há um veículo blindado e apoio do 10º e do 37º Batalhões, da companhia de Barra Mansa, inaugurada nesta quarta-feira (25/10), e do 5º CPA (Comando de Policiamento de Área)., e há ocupação permanente com veículo blindado na Vila Brasília. Takamine disse que, desde a ocupação, não houve confrontos, tiros ou homicídios na região.

Segundo ele, a violência decorre de uma disputa entre facções, sem aumento de roubos, sequestros ou invasões. O comandante afirmou que o apoio das unidades especiais será mantido pelo tempo necessário e prometeu “encurtar isso o máximo possível”.

Ele pediu que moradores não confundam agentes do Bope, que atuam camuflados, com criminosos, e disse ser contra “sair atirando” ou invadir casas de moradores. Sobre um vídeo que circula com sons de disparos, afirmou que os tiros partiram do Bope durante uma abordagem. Os detalhes da estratégia, disse, "não podem ser divulgados".


Medo nas ruas e cobrança aos vereadores

A vereadora Gisele Klingler disse que, em 46 anos, não se lembra de momento semelhante. Ela relatou operações em vários bairros, escolas esvaziadas e ruas vazias, e contou que não enviou o filho à aula. “A gente, enquanto vereador, é o porteiro da cidade. Antes de cobrar da polícia, a população cobra dos vereadores”, disse.

Mineirinho destacou a preocupação “imensa” dos moradores. Cacau da Padaria, que mora na Vila Brasília, relatou que comerciantes recebem ligações com ameaças e pedidos de dinheiro, e que um deles perdeu R$ 10 mil. Ele pediu à PM um vídeo de orientação para a imprensa. Takamine respondeu que a melhor defesa é a informação e que tentativas de golpe semelhantes também atingiram familiares de policiais. Vereadores relataram ainda boatos de que criminosos estariam chegando a bairros como Jardim Belvedere. Um deles ressaltou que, apesar do medo, confia no trabalho da PM.


Canal oficial e pedido de paciência

Para conter a desinformação, a PM vai criar um grupo de WhatsApp com os vereadores, com ligação direta com o comando, a P2 e a P5 (comunicação social). A população deve buscar os canais oficiais do batalhão e da segurança pública. “Só com informação a gente consegue chegar de forma efetiva”, afirmou Takamine, que também pediu “um voto de confiança”. o subcomandante André Fernandes reforçou: “Vocês são a voz dos moradores. A gente não tem esse elo que vocês têm.”

Takamine disse não poder garantir ausência total de tiros e pediu paciência: “Até as pessoas voltarem à vida normal, vai demorar um tempo.”

O vereador Sukinho pediu a reativação da cabine da PM em Santo Agostinho. O comandante prometeu levantar os dados de ocorrências e explicou que manter uma cabine 24 horas exige cerca de 12 policiais, o que, somado às restrições de efetivo e de gastos do Estado, limita a medida.

 
 
 

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