MPRJ DEFLAGRA OPERAÇÃO CONTRA SUPOSTO DESVIO DE R$ 19 MILHÕES EM REFORMAS DE ESCOLAS ESTADUAIS
Investigação aponta direcionamento de contratos, superfaturamento e lavagem de dinheiro; 19 mandados de busca foram cumpridos nesta quinta-feira
Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF), da Polícia Civil, realizaram nesta quinta-feira (1º/10) a Operação Escola de Papel, que apura possíveis desvios de dinheiro público em contratos de reforma de escolas da rede estadual firmados entre 2024 e 2025. Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos. A Justiça também determinou, a pedido do MPRJ, o bloqueio de cerca de R$ 19 milhões em bens dos investigados.
Participaram da ação agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ. Entre os alvos estão ex-integrantes da Secretaria de Estado de Educação, um capitão do Corpo de Bombeiros, um policial militar e empresários. Eles são investigados por corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Como funcionava o esquema, segundo a investigação
A apuração, conduzida pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, indica que o dinheiro saía da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e era repassado às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), entidades sem fins lucrativos ligadas às unidades escolares, responsáveis por administrar diretamente verbas destinadas à manutenção e a melhorias nas escolas. Dali, os recursos chegavam às empresas contratadas para as obras.
Os investigadores apontam que os contratos tinham indícios de direcionamento e valores acima do custo real dos serviços. Depois dos pagamentos, a diferença era sacada em dinheiro ou transferida para outra empresa do grupo, que também fazia saques em espécie, o que dificultava rastrear o destino final do dinheiro.
R$ 500 mil em uma sacola
Segundo o MPRJ, o esquema veio à tona com a apreensão de R$ 500 mil em espécie, em 16 de janeiro de 2026, na saída de uma agência bancária em Duque de Caxias. A abordagem partiu de informações de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Policiais acompanharam o saque feito pelo administrador de uma empresa contratada para obras em escolas estaduais. O dinheiro estava em uma sacola plástica, dentro de uma caminhonete dirigida por um policial militar armado, apontado como responsável pela segurança do transporte.
Em depoimento, o administrador afirmou que, dos cerca de R$ 6 milhões recebidos para aproximadamente 15 obras, só R$ 2 milhões foram aplicados nos serviços. Os outros R$ 4 milhões, segundo ele, ficaram com um intermediário que organizava as contratações e controlava a movimentação da conta bancária.
A análise dos processos de contratação e dos dados financeiros identificou ainda que uma das empresas recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente em 2025, com R$ 8,93 milhões em saques em espécie.
Próximos passos
De acordo com o MPRJ, a operação busca identificar os beneficiários finais dos possíveis desvios e reunir provas sobre a atuação de cada integrante do grupo. A investigação segue em andamento e tramita sob sigilo, e outros detalhes serão preservados para não comprometer as diligências.
Por se tratar de investigação em curso, os citados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.













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