MORADIA EM FOCO: IGREJA E ARQUITETOS DEFENDEM FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE EM VOLTA REDONDA
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Dom Luiz Henrique da Silva Brito, da Diocese de Barra do Piraí–Volta Redonda, repercutiu positivamente na cidade a ideia
Arte: Divulgação

A CNBB colocou a moradia no centro do debate público ao lançar, nesta Quarta-feira de Cinzas (18/02), a Campanha da Fraternidade 2026 com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Em Volta Redonda, a iniciativa reacendeu discussões sobre o direito à habitação digna, a função social da propriedade e os desafios do crescimento urbano em uma cidade com território cada vez mais limitado.
Mais do que um teto, a moradia representa o ponto de partida para o exercício da cidadania. É no lar que se estruturam vínculos familiares, se constroem referências de pertencimento e se asseguram condições mínimas de saúde, segurança e dignidade. Sem acesso à habitação adequada, direitos como educação, trabalho e bem-estar ficam comprometidos, ampliando desigualdades sociais históricas.
O bispo diocesano Dom Luiz Henrique da Silva Brito, da Diocese de Barra do Piraí–Volta Redonda, repercutiu positivamente na cidade a ideia. Ao abordar o tema, ele reforçou o papel da Igreja na defesa da justiça social e na promoção de políticas que garantam moradia digna às populações mais vulneráveis. “A moradia é um direito fundamental e exige a conscientização e a mobilização de toda a sociedade. Seguindo o exemplo de Dom Waldyr Calheiros, precisamos continuar lutando para que todos tenham um lar digno”, afirmou.
Arquitetos e urbanistas também destacaram a relevância da campanha. O arquiteto José Antônio de Oliveira lembrou que dados da Fundação João Pinheiro apontam déficit habitacional de cerca de 5,97 milhões de moradias no Brasil, evidenciando a dimensão do desafio. Para ele, o debate precisa ir além do direito individual à propriedade e considerar o princípio constitucional da função social. “Não basta garantir o direito à propriedade. Ela precisa cumprir sua função social e atender também ao interesse coletivo”, defendeu.
Em Volta Redonda, onde a disponibilidade de áreas para expansão é cada vez menor, a verticalização tem sido alternativa recorrente, inclusive em programas como o Minha Casa Minha Vida. Contudo, segundo especialistas, essa solução exige investimentos robustos em infraestrutura e planejamento para evitar impactos ambientais e sobrecarga nos serviços públicos.
Diante do esgotamento territorial, José Antônio aponta a necessidade de planejamento integrado com municípios vizinhos, como Barra Mansa e Barra do Piraí, além do aproveitamento ordenado de áreas hoje subutilizadas no entorno da cidade. Para ele, a expansão urbana precisa ser conduzida de forma responsável, garantindo equilíbrio entre desenvolvimento, preservação ambiental e justiça social.
O arquiteto e urbanista Wiliam Fernandes, professor no UGB-FERP, reforça que a moradia não pode ser tratada apenas como mercadoria. “A moradia deve ser concebida como parte de um projeto de cidade, articulada à infraestrutura urbana, à dignidade humana, à mobilidade, ao meio ambiente e à segurança pública”, pontua.
Ao recolocar o tema em evidência, a Campanha da Fraternidade amplia o debate para além do setor imobiliário e reafirma que assegurar moradia digna é fortalecer a base da sociedade, promover inclusão e garantir que o direito à cidade seja efetivamente acessível a todos.













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