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UM 9 DE ABRIL TRISTE E NOSTÁLGICO

URBANISMO E EVOLUÇÃO DAS CIDADES

* RONALDO ALVES

Devo tudo que sou e conquistei na vida á CSN e à Escola Técnica Pandiá Calógeras principalmente nessa, onde adquiri conhecimento e aprendi a exercer a verdadeira cidadania, cultivando o sentimento de amor a terra e às pessoas com quem convivia. Estou falando dessa CSN dos anos 50, 60,70 e 80, quando ainda era estatal e oferecia toda a assistência financeira, cultural e social a seus trabalhadores. Mesmo depois já diplomado Arquiteto, quando entrei para uma subsidiária dela que elaborava projetos para seus planos de expansão: A COBRAPI.

Em todo esse tempo existiu uma sinergia entre a Empresa e a cidade, uma consequência da outra, formando famílias e atraindo as atenções do País e até do Exterior para a Cidade do Aço como se convencionou denominá-la.

Pois bem. O certo foi que nos anos 90 entendemos que seria correta a decisão de privatização da mesma, em função do cenário desgastante que seus resultados econômicos traziam para o país. As benesses políticas com que se deparavam os gestores daquela época, acabaram por solapar o conceito de empresa estatal que dava lucro. As benesses e os prejuízos que davam ao País incentivaram os discursos e ações pela Privatização.

Entretanto as esperanças de correção no rumo do desenvolvimento correto deram lugar a dominância de um modelo de capitalismo selvagem, totalmente desvinculado de uma política de responsabilidade social, onde apenas o Lucro interessa. Trimestralmente a Empresa alardeia aos quatro cantos um lucro bilionário, na faixa de 1,3 a 1,5 BILHÃO DE REAIS. Mas quem proporciona ocorrer esse lucro? Os Políticos, o Governo, os acionistas, os gestores? NÃO?...QUEM PROPORCIONA ESSES LUCROS SÃO OS TRABALHADORES!!! Até mesmo superando o sucateamento da fábrica, cuja planta pouco ou quase nada evoluiu nos últimos 10 anos. Lógico que uma boa parte disso se deve a comercialização de comodities, encabeçada pelo Minério de Ferro, extraído e vendido pela parte de Mineração da Empresa.

Mas as atenções para com seus trabalhadores, ocorre de forma diametralmente oposta aos resultados que eles proporcionam à Empresa, fazendo recrudescer o sentimento de revolta e indignação.

Aliado a isso ressaltam-se as crescentes atitudes de descumprimento pela Empresa, do exercício pleno da Função Social da Propriedade, princípio decorrente da Lei Federal n. 10257 de 10 de julho de 2001, denominado ESTATUTO DAS CIDADES. Essa legislação, transportada por delegação jurídica ao Plano Diretor da Cidade, estabelece que a FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE, tem de ser respeitada pelo proprietário da mesma, fazendo valer as atividades proporcionadas aos seus beneficiários da sociedade.

Nesse caso nos reportamos aos imóveis criados a cerca de 70 ou 80 anos atrás, a maioria pela própria Empresa, para uso e benefício social de seus trabalhadores, hoje sendo gradativamente fechados e abandonados pela mesma, descumprindo a lei acima citada.

Incluem – se aí o CENTRO DE PUERICULTURA, O RECREIO DO TRABALHADOR, O CLUBE UMUARAMA, O AMÉRICA DO RÚSTICO, O RESSAQUINHA, no bairro Barreira Cravo, o atendimento hospitalar gratuito não terceirizado e, até mesmo, o Escritório Central. Todos eles, a exceção do Escritório Central, ofereciam serviços de interesse social aos trabalhadores, constituindo-se em um ganho a mais em suas vidas.

Tais desmandos já deveriam ter sido denunciados e proclamados pelo Poder Público local, inclusive MINISTÉRIO PÙBLICO, fazendo serem restabelecidos os direitos sociais vigentes nos quase 80 anos da Empresa aos seus trabalhadores.

Vem agora à tona os ridículos atuais vencimentos dos trabalhadores que, não conseguindo pacificamente serem reajustados em níveis compatíveis com a realidade econômica, caem em um regime perverso de negociação, permitindo revolta e conflito sindical.

A empresa se limita a oferecer um reajuste ridículo de 3% a 4% somados a abonos só comparáveis aos oferecidos em 1988 que foi a causa de uma greve geral e um conflito sindical com resultante de mortes de trabalhadores. Para completar, o Sindicato dos Trabalhadores, convoca Assembleia Geral para votação da proposta ridícula da empresa, para a Praça Juarez Antunes, evitando uma votação no pátio da SOM, onde se poderia decretar greve geral, ocupando com facilidade a USINA. Estando os Trabalhadores do lado de fora, a declaração de greve geral fica impossibilitada de ter sucesso pois os trabalhadores serão impedidos de entrar na Usina, fazendo com que os que estiverem lá dentro não saiam e sejam obrigados a continuar operando as máquinas.

Os trabalhadores querem 30% de aumento e merecem ter isso aprovado pela Empresa. Uma pena esse quadro estar ocorrendo num período coincidente com o 9 DE ABRIL, data emblemática na Cidade devido ao aniversário da Empresa que todos amamos.

Torcemos para que tudo relatado aqui seja encarado com força, competência e respeito à História da empresa que é a própria história da Cidade.


* Ronaldo Alves é arquiteto e urbanista

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