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RODOVIA DO CONTORNO – POLÊMICAS E DESINFORMAÇÃO

URBANISMO E EVOLUÇÃO DAS CIDADES


*RONALDO ALVES


Este início de ano foi pautado por discussões político-administrativas da nossa cidade, em vista dos acidentes graves ocorridos na Rodovia do Contorno, que merecem uma análise técnica profunda e especial por força do desconhecimento da maioria da população sobre a existência da mesma e de sua história que remonta aos idos da década de 1970.

Naquele período de nossa história, a circulação intensa de veículos de carga, de toda sorte, já incomodava a tranquilidade urbana outrora reinante desde os primórdios da implantação da cidade operária nos anos 40.

A principal via de acesso à cidade e saída também, era a rua 207, ligada à via Dutra pelo bairro Boa Vista em Barra Mansa, além da via Sergio Braga, a mais antiga e tradicional, desde quando a única ligação era a Estada Rio São Paulo, ligada a Barra Mansa vindo por Passa Três, Distrito do Município de Rio Claro.

A rua 207 foi sendo ocupada gradativamente por bairros residenciais e atividades de Comércio e Serviços, sobressaindo o São Lucas e o Nove de Abril, todos ocupando as margens da Rodovia até a DUTRA.

O crescimento constante de uso da área urbana de Volta Redonda para passagem de veículos de carga vindos da via Dutra em direção à Três Rios, Juiz de Fora, Belo Horizonte e até Bahia, sobrecarregavam a área urbana da cidade causando constantes transtornos, inclusive acidentes. Incluíam – se nesse volume de veículos, as cargas de produtos de ou para a própria CSN, sem outra alternativa viária possível.

Essa foi a razão do clamor popular e político no final da década de 60 e início da de 70, para que fossem criadas soluções alternativas para tirar o transito pesado de dentro da malha urbana.

Tal clamor permitiu a realização pelo então DNER (hoje DNIT), concluído em 1974, de um projeto denominado BR- 393 – CONTORNO DE VOLTA REDONDA E ACESSO A CSN. Tratava –se de um projeto bastante conveniente pois possuía dois trajetos importantes: O CONTORNO de Volta Redonda, com 12 km, ligava a chamada 207 na altura do Bairro Boa Vista, à BR 393 na altura do bairro Santo Agostinho.

O ACESSO Á CSN, ligava a via Dutra naquele ponto onde atualmente foi construída uma Churrascaria ainda sem acesso concluído, à CSN no Bairro Ponte Alta, mediante um elevado (Castelo Branco edificado no Governo Nelson Gonçalves), com pista de descida no Bairro Siderville, uma via com cerca de 4 km da Dutra até ali naquele ponto onde permitia entrada e saída de cargas de ou para a Usina da CSN.

Esse último projeto ficou somente na construção do Elevado onde ainda se pode ver as pontas das pistas de descida e de subida para acesso e saída de cargas à USINA.

A RODOVIA DO CONTORNO, BR-393, levou mais de 20 anos para ser concluída, a partir da decisão de ser assumida pelo governo do município nos anos 90, pelo então Prefeito Baltazar. Naquela oportunidade já existia a VRD-001, Rodovia do Aço, atual Rodovia dos Trabalhadores. Essa nova Rodovia permitiu modificar o traçado do CONTORNO que antes previa passar pelo meio da Floresta da CICUTA, dividindo –a ao meio.

Em 1985 a CICUTA foi declarada ARIE, Área de Relevante Interesse Ambiental, dificultando a aprovação da execução da obra e permitindo a definição pelo DNER do novo traçado da BR-393, partindo da Rodovia dos Trabalhadores, como foi então construída.

Ao transitar hoje pela Rodovia do Contorno podemos observar a cada um dos 7 km, a placa indicativa de BR-393, reafirmando o caráter de RODOVIA FEDERAL como fora projetada em 1974, mesmo com a modificação feita nos anos 90.

Quanto à discussão hoje das responsabilidades pelos acidentes defronte a um Conjunto residencial aprovado e edificado entre 2018 e 2021, com obras ainda em andamento, é importante assinalar:

1. Esse Condomínio não poderia ser aprovado pela Prefeitura sem antes ter tido um trevo de acesso aprovado na ANTT do governo federal, em vista do objetivo da Rodovia de ser responsável por retirar o transito interestadual de dentro da malha urbana de Volta Redonda.

2. Outro fator que deveria ter sido observado é a política discutida e definida no Plano Diretor quanto à função social da propriedade, quando a Rodovia teria de dar prioridade a instalação de empresas da área de produção e novas indústrias, com acesso pleno ao transporte de cargas, não se submetendo a áreas ao uso habitacional não recomendado.

3. Um Condomínio daquela envergadura demandaria acesso e saída de veículos de uso pessoal e de transportes de cargas, sem dizer do acesso das pessoas a transporte coletivo (Estudantes, empregadas domésticas, trabalhadores em geral, etc.), que inevitavelmente passariam pela Rodovia, obrigando – os a entrar em pista paralela com ponto de ônibus, em ambos os sentidos. Isso significa ter sido projetado um Trevo Especial a ser implantado pelo empreendedor, no ato da aprovação dos projetos do condomínio.

4. Portanto, as responsabilidades são mútuas entre quem propôs e quem aprovou o projeto, permitindo a ocorrência desses fatos lamentáveis que, caso não seja corrigida a solução, permitirá novas ocorrências no local.

Por último fica o alerta:

Até quando vamos continuar a ver a RODOVIA DO CONTORNO, projetada para retirar o transito pesado de dentro da Cidade, se transformar numa nova 207, obrigando, em breve, a necessidade de NOVO PROJETO DE NOVO CONTORNO?


* Ronaldo Alves é arquiteto e urbanista

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