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HISTORIADORES LIGADOS AO MEP COMENTAM O LANÇAMENTO DO FILME MARIGHELLA

Foto: Divulgação/Reprodução

O lançamento nacional, com atraso, na quinta-feira (04\11), do filme 'Marighella', do cineasta Wagner Moura, história baseada no livro de Mário Guimarães, jornalista e intelectual, provocou nos historiadores ligados ao Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR) algumas reações. Também o fato de um dos professores do MEP ser uma referência na elaboração do filme, por intermédio de seu livro.

Luiz Henrique de Castro Silva, mestre em história, ex-coordenador do MEP, graduando em psicologia (UFF) e professor Pré-Vestibular Cidadão (MEP), ao saber do lançamento filme comentou: “Eu conheci o jornalista Mário Magalhães e nos tornamos amigos quando realizava a pesquisa para a construção da Biografia Política de Joaquim Câmara Ferreira, o Velho ou Toledo, que fundou junto com Carlos Marighella a ALN (Ação Libertadora Nacional) que foi a maior organização revolucionária armada no Brasil de luta contra a ditadura militar. Mário Magalhães, na mesma época, estava construindo a Biografia Política de Carlos Marighella, um dos maiores revolucionários que o Brasil já teve e que à época foi considerado o inimigo público número um da ditadura militar. A época (2008-2009) estávamos entrevistando as pessoas que haviam convivido com esses dois homens: familiares, militantes da ALN, outras organizações de esquerda, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), de ordem religiosa como os dominicanos (apoiaram logisticamente a ALN). Mário publicou ‘Marighella - O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo’ e eu - ‘O Revolucionário da Convicção: vida e ação de Joaquim Câmara Ferreira’.” Contou o historiador, acrescentando – “Retomar a história desses homens, como o faz agora o ator e diretor Wagner Moura com o filme sobre Marighella, baseado no livro de Mário Magalhães, é recuperar a memória histórica de um Brasil que muitas vezes sofre pela ausência da mesma”, disse Luiz Henrique.

"Os inimigos de Marighella estão aí, transitando no poder e conduzindo o país cada vez mais para o abismo. Uma vez, Marighella afirmou que não teve tempo de sentir medo. Pois essa mensagem vale muito para os jovens que se contrapõe ao autoritarismo que hoje nos governa", comentou Danilo Caruso, doutor em história e professor no Pré-Vestibular do MEP.

"Marighela era um homem de coragem. Baiano arretado, optou pela luta armada para se contrapor a ditadura se tornava cada vez mais intolerante e agressiva. Lutou até o fim por seus ideais. Em um período em que não se tolerava oposição, não se curvou às imposições dos generais. O filme de Wagner Moura chega em boa hora, para celebrar a memória da resistência, para fazer um contraponto a esse governo genocida que se espelha na ditadura. Os tempos são outros, as táticas são outras mas a memória de Marighela ainda incomoda aos aspirantes de ditadores", afirmou Paulo Célio, doutor em história, professor universitário e colaborador do MEP.

Já o professor Anderson Couto, historiador e coordenador do núcleo de história no Pré-Vestibular Cidadão afirma: “Estou aguardando ansioso para assistir, pois acredito que quanto mais tivermos acesso aos relatos desse período, mais condições teremos de refutar os negacionistas que ainda hoje dizem que a ditadura militar foi “boa” e que todos os que a combateram eram apenas bandidos. O filme chega cercado de polêmicas. Se vê na dificuldade dos produtores de lançarem o filme no Brasil, que chega dois anos e nove meses após a sua apresentação no Festival de Berlim. Polêmica porque apresenta a história de um líder revolucionário controverso, não por causa das suas intenções na resistência contra a ditadura militar, mas mais por ter recorrido à luta armada”, analisou Anderson.

Igualmente na expectativa, a professora Maria Eloah, mestranda(UFFRJ), professora licenciada do MEP, manifestou: “Esperamos muito tempo por esse filme, em tempos como esse ver a história de um revolucionário nas telinhas do cinema nos faz ter forças pra resistir as constantes investidas autoritárias que temos sofrido atualmente. Marighella resiste e nós também”.

 
 
 

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