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TORTURA E MORTE NA DITADURA VOLTAM AO NOTICIÁRIO

Documento da CIA comprova execuções e tortura de opositores ao regime militar, durante "Anos de Chumbo", repercute por toda imprensa nacional, e também em Volta Redonda

Foto: Reprodução Santiago Filmes (http://bravi.tv/associados/santiago-filmes/)

A descrição feita pelo ex-diretor da Central Intelligence Agency (CIA – Agência de Inteligência dos EUA), Willian Egan Colby sobre o documento que comprova sobre execuções e tortura de opositores ao regime militar durante a ditadura no Brasil, no início desse mês, repercutiu por toda a imprensa nacional, e também em solo metalúrgico, mais precisamente em Volta Redonda. Na região Sul Fluminense o assunto nunca foi totalmente esquecido, e até um museu foi organizado dentro de um dos locais usados pelo Exército, para a prática que pôs fim em vidas de diversas pessoas, em 1972, nos “Anos de Chumbo”. O 22º BIB (Batalhão de Infantaria Blindada), localizado entre os bairros Bom Pastor (antigo Lazaredo) e Roberto Silveira, em Barra Mansa.

Colby descreve, em 11 de abril de 1974, ao então secretário de Estado Americano, Henry Kissinger, um encontro em 30 de março de 1974 entre o presidente nomeado, general do Exército, Ernesto Geisel, com os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino, chefes de saída e chegada do Centro de Inteligência do Exército (CIE), naquela época. Neste encontro estava presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), que sucederia Geisel na presidência, em 1979.

O relato de Egan Colby deixa claro que o presidente Geisel sabia do assassinato de 104 opositores durante o regime militar, após o Golpe de 1964.

Para o metalúrgico aposentado e coordenador geral do Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR), José Maria da Silva, o Zezinho, “a revelação é assombrosa”. “Trata-se de uma revelação estarrecedora do pesquisador, acerca da pena de morte aos militantes da década de 1970, autorizada pelo governo da ditadura, nos abomináveis anos de chumbo”, afirma ele.

José Maria, o Zezinho, durante entrevista ao ex-metalúrgico da CSN e anistiado político, Evaldo Pontes

Zezinho vai mais além, no que diz respeito ao assunto trazido às claras por parte dos norte-americanos. “creio ser importante ressaltar que, estamos fazendo memória dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, instituto criado para abominar, a discriminação e matança ocorrida na Segunda Guerra”. E acrescenta: “A pena mortal pelo governo brasileiro, à época, aconteceu 20 anos depois, e feriu o coração do tratado internacional, e isto é gravíssimo”, comenta Zezinho.

- Digo mais. Sabemos que na região, especificamente no BIB, houve tortura e matanças. Há de investigar sobre os soldados assassinados que estavam na lista do general de plantão. Por fim, penso que a divulgação e exigência de investigação servem de alerta aos que defendem a ditadura. Que ela não volte nunca mais – concluiu José Maria.

Rodrigo Furtado: "Sem dúvida, estamos falando da mais violenta parte da história do nosso país".


Quem também opinou sobre o assunto, foi o advogado e vereador na Câmara Municipal de Volta Redonda, Rodrigo Furtado.

Durante a ditadura militar, as maiores atrocidades foram cometidas contra os que se opunham ao regime ditatorial. Neste período, diversas pessoas foram vítimas do sistema que contestavam, sofrendo sanções abusivas, torturas físicas e psicológicas, entre outras lamentáveis ações truculentas. O resultado foi a consolidação de uma governança ilegítima e firmada através da utilização de arbitrariedade, força bruta e silêncio de sua população. Sem dúvida, estamos falando da mais violenta parte da história do nosso país. Penso que qualquer tipo de anuência por parte dos militares, frente às autorizações de assassinatos de presos políticos, deve ser apurada de forma séria e punida severamente. As vítimas e as suas famílias precisam e merecem respostas. Acredito que sempre existe tempo de reconhecer erros e promover a justiça.

Numa entrevista aos jornalistas Guilherme Mazui e Roniara Castilhos, Portal G1 e TV Globo, respectivamente, o ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, afirmou que o assunto “estaria totalmente encerrado”, por conta da Lei da Anistia. Já o presidente Michel Temer (MDB) preferiu dar tratamento discreto ao assunto. Ele apenas destacou o papel dos militares na defesa da democracia durante a Segunda Guerra Mundial, em discurso na abertura da cerimônia "Entre a Saudade e a Guerra", sobre a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, muito pouco se sabe ou foi revelado com exatidão e profunda investigação, por parte dos governos que se sucederam no Brasil, após o Golpe de 1964. No entanto, ainda resta esperança dos familiares, como os da jornalista e colunista do Jornal do Brasil, Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel.

Hildegard conta, em entrevista ao jornalista Octávio Costa, no “Jornal de Todos os Brasis”, que a mãe foi morta durante o governo Geisel, em 1976. A colunista não teria ficado surpresa com as revelações do memorando da CIA. Segundo ela, o gabinete de Geisel “encomendou o atentado contra sua mãe, na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado”. Para ela, o caso de sua mãe está mais do que esclarecido. “Não foi um acidente mal esclarecido”, afirmou Hildegard Angel.

Questionada se tinha a intenção de reabrir o caso da morte da mãe Zuzu Angel, ela não confirmou, mas também não negou. “Vou primeiro ouvir o Nilo Batista, que ajudou na reconstituição da tortura e morte de meu irmão Stuart Angel, ouvir o Pedro Dallari, que ajudou no caso de minha mãe, e outras pessoas que possam me aconselhar. como o ex-deputado Nilmário Miranda. Depois tomarei a decisão.”. (https://jornalggn.com.br/noticia/hildegard-angel-minha-mae-foi-morta-por-ordem-de-geisel)

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